domingo, 1 de novembro de 2009

MATÉRIA DA SUPERINTERESSANTE DE SET-2002
"É provável que minhas palavras incomodem as leitoras da Super que estão folheando a revista ao lado de seus rechonchudos bebês. Ou mesmo desperte a sanha dos cristãos mais fervorosos que lembrarão a célebre frase bíblica “crescei e multiplicai-vos”. Acontece que, quando tal frase foi dita, a humanidade vivia num mundo completamente diferente. Ainda não havia recenseamento populacional preciso e a Terra parecia pronta para receber todos que aqui chegassem. Hoje, isso não é mais verdade. Dados internacionais mostram que há mais de seis bilhões de seres humanos sobre o planeta. O pior é que, em 2050, esse número deve saltar para nove bilhões. Ou seja: em pouco menos de 50 anos, adicionaremos no planeta a metade da população que temos hoje – e não custa nada lembrar que levamos cerca de 100 000 anos para atingir esse número. Há vários motivos para essa explosão demográfica. Desde a desinformação entre os mais pobres até a irresponsabilidade de famílias de classe média. Independentemente do motivo, o fato é que a população cresce em progressão geométrica, aumentando os problemas sociais e gerando mais violência. Países como a China tentam aplicar o controle de natalidade. Mas o problema é mundial e precisa ser encarado de frente por todos. Não dá mais para se esconder atrás de dogmas morais ou religiosos, enaltecendo o dom da maternidade e o milagre de gerar uma nova vida.Por motivos que estão mais ligados ao lucro do que a preocupações humanitárias, a ciência colabora com essa explosão populacional desenvolvendo, a cada dia, métodos de fertilização artificial. Mas por que, em vez de gerar cada vez mais crianças, não damos condições decentes às que estão abandonadas ou que são obrigadas a trabalhar em fornos de carvão? Em vez de promover métodos de fertilização artificial, por que não se promovem eficientes campanhas de adoção?Países como o Brasil precisam abandonar posturas hipócritas que dificultam a adoção internacional. As nações ricas, que têm taxas de crescimento negativo, precisam de crianças. Já o Brasil, a Índia e a China têm milhares de crianças desamparadas. Por que, então, não facilitamos o caminho para que elas possam ser criadas por quem tem condições de dar-lhes uma vida confortável?Infelizmente, a hipocrisia não é só do governo. É também de boa parte da imprensa e da população. As mulheres que passam anos fazendo tratamento para engravidar, gastando até dezenas de milhares de dólares, são consideradas, por boa parte das pessoas, heroínas. Tudo porque conseguiram gerar uma nova vida. Imagine o quanto seria útil se todo esse investimento fosse usado para educar crianças que já nasceram.Depois de conversar com várias pessoas sobre esse tema, costumo ouvir os mesmos argumentos. O mais enfático deles é aquele que defende o desejo da mulher de gerar uma vida dentro de si. Não haveria nada, afinal, que substituísse o ato de sentir um novo ser crescendo dentro da barriga de uma mulher. Mas, ao seguir essa linha de raciocínio, o que a mulher busca, na verdade, é a auto-satisfação – e não seria exagero dizer que ela estaria mais preocupada em conquistar esse prazer do que pensando no bebê em si. Outra argumentação comum é a de que, ao adotar um bebê, não se tem a garantia de saber a origem da criança. Essa desconfiança parte da tese, sem fundamento, de que o filho de um criminoso pode se tornar um criminoso, mesmo que cresça cercado de carinho. Pelo que eu sei, os genes não garantem que alguém será um mau-caráter ou um cidadão exemplar. Até porque criminosos como Hitler e o “Unabomber” eram filhos legítimos de famílias consideradas normais.Se a genética e o desejo de engravidar não justificam o repúdio contra a adoção, é possível concluir que o que as futuras mães querem é a garantia de que seus filhos terão um tom de pele próximo do delas. O desejo de engravidar a qualquer custo também tem seu lado racista. Até mesmo porque boa parte das crianças abandonadas que poderiam ser adotadas no Brasil são negras.Num planeta cada vez mais desigual, uma mulher que investe em tratamentos para gravidez é, de certa forma, uma egoísta – assim como um casal que tem cinco ou seis filhos. Não têm qualquer preocupação com o futuro do bebê nem com o futuro do planeta. Essa mulher quer apenas provar para ela e para a sociedade que é capaz de cumprir uma falsa obrigação moral: engravidar num mundo cada vez mais cheio de gente."

Peguei essa materia de outro post. Concordo com a matéria, mas no Brasil a adoção é dificil e sem garantias Digo isso porque já fomos ver. A sobrinha do Valdemir estava gravida e não queria a criança. Consultamos um advogado e queriamos pegar o bebe ainda na maternidade. Para isso a geradora tinha que fazer um documento e registrar em cartorio dizendo que estava dando a criança para nós, depois entrariamos com o processo de adoção, teriamos que esperar a entrada do processo para termos uma guarda provisoria, depois de ser avaliados por psicologos, assistente social, entrariamos com o processo da guarda definitiva. Detalhe, esse documento que a mãe faria primeiro não tem grandes validades, depende do juiz se iria considera-lo ou não. De qualquer forma a mãe geradora tem que registrar a criança primeiro. Até que saia a guarda provisoria que pode demorar dois anos, não temos garantia nenhuma que a criança ficará conosco, não podemos colocar no plano de saude familiar, não podemos viajar sem a autorização da "mãe". E a guarda difinitiva só deus sabe quando sairia. Decidimos passar pelo stress de um tratamento para engravidar do que adoção. Existe também uma fila para adoção, que pode demorar anos. Hoje a menina nasceu e tem dois meses e a tia tirou da mãe porque a menina estava subnutrida, cheia de piolhos e uma semana sem tomar banho. A tia também não tem boas condições financeira para criar, mas pela lei a familia da "mãe" tem prioridade, se na altura do processo a familia resolvesse pegar a criança de volta, nós perderiamos.
Por isso que a adoção é considerada como ultima alternativa, óu um segundo filho depois do biologico. Não tenho problemas nenhum em adotar, acho até melhor, mas a lei não favorece. E ficamos assim.

Um comentário:

Rezinha disse...

Marcia, eh um absurdo essas coisas nao!!
Tanta crianca nos orfanatos esperando uma familia e a burocracia toma conta..
Nos somos abertos a adocao tbm, mas nao faco ideia de como seria aqui na Inglaterra.. e nem estamos pensando nisso ainda!
Minha mae adotou meu irmao da barriga da "mae" dele, e dentro do hospital ela conseguiu registrar ele ja.. ela deu muita sorte!
Vcs ja estao vendo programas de fertilizacao??
bjs