sexta-feira, 28 de maio de 2010

Não vale chorar! Eu sempre choro...

A visão de um homem de ser pai
Um dia, acontece... estou grávido!



Ela perde a forma, perde o humor, começa a vomitar e fica ansiosa.


Eu perco o chão, perco a clareza e fico cheio de preocupações.


Faço contas e mais contas, tento agradar, temo aquela barriga diferente que não pára com aquilo de crescer, crescer...


Um dia mexe, ela põe a minha mão e... nada acontece.


Ela sente, ela sonha, ela se emociona e eu sorrio meio perdido.


Tento acompanhar, mas que difícil! Não é comigo, é com ela!


Devagar tento entrar neste mundo particular que rouba a mulher e a torna mãe-bebê.


Olho tímido para o ventre crescido enquanto ela dorme com 4 travesseiros, acaricio e enfim um chute, depois outro... está aqui, eu pude sentir! Começo a fazer parte.


É hora de parir.


Um nó enche a garganta e um montão de água enche e vaza dos olhos.


Ela aperta, ela grita, eu seguro firme mesmo quando queria sair correndo.


E então ele chega, cor-de-rosa, café com leite, vermelhinho... tanto faz.


Pisca os olhinhos úmidos e a gente chora: eu, ele e a mãe.


É frágil e me derruba com seus dedinhos miúdos e delicados.


Virei Pai.


E então vem os xixis na cara, as fraldas tortas,os benditos botõezinhos de macacão. Ah, os botõezinhos... ainda pego quem inventou isso!


Depois as noites de cólicas, de inalação, cantigas no escuro, camas partilhadas.


Um dia é primeiro dia de aula e nada no meu escritório sai certo, eu queria estar lá segurando a mãozinha dele, mas não pude.


E vem o desenho da família, a primeira tentativa de escrita, o primeiro tombo de bicicleta.


E a vida ganha outros aromas, outros sabores e outras razões.


Já não quero ficar até tarde para acabar o trabalho, não acho importante aquele jogo na TV, e não ligo de perder a Fórmula Um para ouvir pela centésima vez a voz dos backyardigans.


Me leva na praia? Me compra uma espada? Me deixa dirigir? Empresta seu carro?


Pai, essa é a minha namorada...


Virei Pai e fico com medo de ser avô antes do tempo.


Converso, explico, vigio, passo noite em claro.


E sinto orgulho na formatura da faculdade, no final do campeonato de Karatê, no dia do primeiro emprego.


Passo o Natal de mãos dadas com a mãe dele, esperando o telefonema que demora, mas chega pertinho da meia noite.


E então, começo a viver tudo de novo quando escuto:


Pai, eu também vou ser Pai!

3 comentários:

Ana Paula disse...

Que lindo!!!!!!!!!!
Adorei!

Paulinha disse...

Muito lindo!!!!
li para meu marido e miemocionei!!
Bjnhus

Than disse...

Ai menina, to chorando feito uma tonta aqui....rs
Lindo de viver isso!
Pai, eu tb vou ser pai!
Foi isso q meu marido disse ao pai dele qdo descobrimos a minha gravidez: Pai, eu vou ser pai!...lindo ne?????
Adorei msm...obrigada por me permitir ler essa mensagem maravilhosa!

Bjooos